SEXUALIDADE CONSCIENTE

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Traumas, dores e memórias intensas são, muitas vezes, associadas a questões de sexualidade. A humanidade dos tempos atuais carece de revitalizar o sentido da verdadeira sexualidade, relacionada muito mais ao encontro de si, com sua essência mais profunda, do que ao prazer, tão propalado pela mídia e pelo cinema. Revitalizar esse sentido sugere falar, antes de sexualidade, em energia sexual.

Paula Silveira, terapeuta e educadora em sexualidade, considera que a energia sexual surge quando o ser humano surge. Ela já faz parte de nós quando estamos nos formando no ventre da mãe e as células estão naquele processo de transformação do corpo, está presente como potência de vida, de criatividade, de gerar.



Ela se localiza, principalmente, na nossa pelve, e é nessa energia que começa a dualidade e onde começa o prazer, o qual também carece de ser desmistificado.


Mas energia sexual é isto, essa potência de vida, que gera, transforma e que nos leva a ser mais felizes, mais criativos, mais abundantes, a criar coisas para a vida, não só criar filhos, mas criar tudo que queremos de projetos, de caminho para a vida, de materializar mesmo no nosso dia a dia. Muitas vezes, ela é vinculada ao ato sexual e a maioria das pessoas ainda cria essa vinculação ao se referir a ele como “fazer amor”, trazendo para um aspecto mais romântico.Ela também é isso, mas não apenas, ela é muito maior. O ato sexual é para sentir prazer, mas é também para gerar filhos, é para gerar muitas coisas.

Assim sendo, a sexualidade consciente abarca muitos aspectos: quem somos, no que estamos nos transformando, quais as coisas que desejamos fazer e o que podemos compartilhar com as outras pessoas e com os outros seres, o que geramos, transformamos e oferecemos ao mundo para o benefício de todos. Então, o espectro da sexualidade é muito amplo e podemos direcioná-la a muitas áreas da vida, a vida pessoal, doméstica, a própria vida sexual, para todas as relações, para o trabalho. Não existe separar a energia sexual e a sexualidade destas outras áreas e, se fizermos isso, estaremos sendo, de certa forma, antinaturais,


Reprimindo e restringindo essa energia, não deixando que ela possa ser tão poderosa e tão ampla na vida como quando potencializa o ser mais: profissionais mais autênticos, seres humanos mais alegres e felizes, lidando com as relações de forma mais saudável.


Esse amplo espectro tem um escopo na complexidade, pois a sexualidade, quando vivida de forma consciente, facilita adentrar em aspectos bem complexos de nosso ser. Existe também o enfrentamento das famílias, um tanto de coragem, confiança, quebra de paradigma, dogmas, pudores, sistemas que foram colocados em nós por séculos, e agora as gerações que chegam estão se propondo a romper.

A sexualidade está presente em todas as casas, em todos os lares, independente do sistema de crenças e credos, posição social.

Nesse e em muitos sentidos, todo entendimento profundo do que seja sexualidade inicia na forma como nos relacionamos com o corpo físico e conosco, pois a sexualidade está diretamente ligada a ele. A partir daí, como nos relacionamos com o outro, nos diversos tipos de relações, não apenas como parceiros na relação afetiva e amorosa.



E aí entra a dualidade, pois a forma como nos relacionamos com os outros está em nós. Se nos relacionamos bem com o corpo, conseguimos nos expressar melhor, expressar melhor quem somos e o que viemos fazer aqui, mesmo que ainda não tenhamos tanta clareza, mas o caminho se torna mais fácil de descobrir.


E esse caminho pode ser palmilhado através dos órgãos dos sentidos, ferramenta poderosa para adentrar em aspectos profundos da sexualidade. Visão, tato, olfato, audição são potenciais que, para além da mente, nos colocam em comunicação direta com nosso ser mais profundo, ali onde residem não apenas os traumas, mas também os potenciais de expansão de consciência.

Vivemos uma cultura muito baseada numa visão eurocêntrica, implantada pela colonização europeia no território onde habitamos. Na verdade, houve uma fusão cultural distinta de diversos povos: os que aqui habitavam tinham uma forma de lidar com o seu corpo, um reconhecimento, a percepção consciencial do seu corpo, e isso somado a uma cultura que veio do continente africano, ambas diferentes da cultura europeia, a qual predominou a partir do processo de colonização do território. Isso, de certa maneira, trouxe também uma série de tabus e dogmas, paradigmas em relação a essa integração, essa visão de unidade em relação à sexualidade.



Quando crianças não fomos despertos a acolher nossa fisicalidade, nosso prazer, que sentimos desde muito pequenos, desde que começamos a mamar no seio da mãe.


Mas agora as mulheres estão se libertando também disto, se permitindo viver uma amamentação por livre demanda, expressando que sentem prazer na amamentação, que, afinal, é também o primeiro contato do bebê com o prazer, o contato físico com o corpo da mãe.

Crescemos dentro de padrões que estão vinculados à escassez, competição, comparação, padrões de belezas que nos colocam dentro de um lugar que é feio, ou de um lugar que é bonito. A beleza que cada um de nós carrega não é respeitada dentro dos seus formatos, tampouco é acolhida a Geometria Sagrada que cada um traz através da expressão da sua fisicalidade.

Dessa forma nossa vibração se potencializa nos primeiros centros energéticos, centros da sobrevivência, que nos colocam ainda mais no lugar de competir, na visão de que precisamos lutar para sobreviver. Trazendo para dentro de casa esse movimento de retorno a uma sexualidade reconhecida a partir de si, do contato com o corpo, ele sempre começa pelos adultos.



As crianças são naturais e espontâneas. A sociedade, a cultura e as instituições vão colocando limites e dizendo o que pode e o que não pode, interferindo na naturalidade.


A criança já está natural, assim como animais e plantas simplesmente são, a criança também está sendo. A partir do momento em que os adultos desejam construir um lar, uma família diferente com mais diversidade, com igualdade, com liberdade, com consciência, os adultos terão que se olhar para começar a amenizar a sua vida, revisar a herança dos antepassados, essa forte herança cultural que temos, que relaciona ‘“feio” e “sujo” à liberdade de se expressar com e através do corpo. Essa revisão, por estar relacionada à cultura, é processual, pois engloba não apenas o corpo e a sexualidade, mas também o prazer, a expressão e a própria vida.

A família é, ou pelo menos deveria ser, o lugar seguro. Ao trazer isso para dentro de casa, para a família, é importante pensar em segurança e confiança, responsabilidade no que fazemos e falamos. A esse respeito, Paula considera: “na minha visão a energia sexual está muito vinculada também a aspectos muito simples, que podemos experienciar na nossa casa, na nossa família, práticas que vão permitindo com que a gente se solte, e que as crianças também se soltem, e acessem esse medo delas.



Essa potência que existe vai fazer com que futuramente elas tenham a permissão do prazer, em sentir um prazer primeiramente do que elas são, de ser o que somos. “Na minha opinião não há prazer maior do que quando eu me conecto com o que eu sou e a minha essência.”


As memórias que carregamos dos nossos antepassados, de crenças e heranças que recebemos ou pelas instituições, são padrões que continuamos trazendo na nossa vida e interferem na nossa sexualidade, na expressão de quem somos, pois a sexualidade está ligada à expressão, essa energia precisa se expressar de alguma forma.

E ela pode se expressar com liberdade, leveza e alegria. Ou com repressão, raiva, desagrado, medo e insegurança, gerando, assim, patologias para si e para a sociedade.

As crianças aprendem principalmente com o que elas vivem e presenciam. As atitudes dos adultos, seus valores e sistemas de crenças ressoam diretamente nos adultos que as crianças vão se tornar. Se proporcionarmos momentos de beleza, alegria e expressão verdadeira do que somos, elas se sentem livres e seguras para se expressar também, para ocupar este ambiente e poder expressar criatividade, mostrar quem elas são. E, a partir disso, também poder falar, se colocar, serem vulneráveis.

À medida que o adulto responsável se olha e se investiga, ele se sente muito mais livre e a criança aprende por repetição, mesmo racionalmente, mas ela aprende a expressar também, através do corpo, das emoções, através da manifestação de quem ela é, e isso é muito importante, é fundamental. Talvez seja a semente de uma sexualidade consciente num mundo onde a verdade de cada um prepondere e seja respeitada sem exclusão ou qualquer forma de preconceito.



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