Nutrição e Conexão: a cura pelo alimento

Updated: Oct 15, 2021

Nutrir-se é mais que se alimentar. Enquanto que o alimento traz a ideia da matéria suprindo o corpo físico, a nutrição traz o sentido de abastecer todos os corpos, desde o físico até o espiritual, passando pelo mental e emocional.


Nutrir-se passou a ser um conceito amplo, que abarca múltiplas manifestações, desde o conhecimento até o autoconhecimento.


Passando pela arte e cultura, provendo nutrição a todos os níveis de consciência. Mas, ve

jamos: o ato de se alimentar deriva da consciência do que desejamos comer, da disponibilidade, quantidade e valor nutricional do alimento.

Dito isso, nosso foco se dirige a ele, o alimento. Ele pode e deve nutrir o ser humano como um todo. Paradoxal? Não, se considerarmos os princípios da Ayurveda, que em Sânscrito, significa Ayur – vida e Veda – ciência/conhecimento. Uma medicina sistêmica, que integra corpo, mente e espírito, ao incorporar uma filosofia baseada na autoconsciência, trazendo harmonia e equilíbrio para todas as áreas da vida; um sistema único embasado nas leis primárias da natureza, dialogando com as leis herméticas: “assim como no macrocosmo, é o microcosmo”.

Esse conhecimento milenar se transformou em aprendizagem vivencial para Thaise Cruz, terapeuta ayurveda. Ao integrar os ensinamentos dessa ciência milenar, ela constatou que a questão alimentar é muito mais simples do que parece, mesmo não sendo fácil, pois exige sair de um sistema convencional, escolhendo um novo modelo de vida a partir de uma pergunta básica: o que é comida?



Do ponto de vista da Ayurveda, comida são os alimentos que representam verdadeira nutrição. Via de regra, eles não têm código de barras.



Quanto menos embalagens de alimento você levar para sua casa, mais comida vai levar. Vejamos: sequer sabemos a procedência da maioria dos alimentos comprados, se representam nutrição ou são compostos químicos aromatizados, ultraprocessados e saborizados para aparentar comida. Decifrar os componentes de muitos alimentos tornou-se uma catarse, números e nomes minúsculos, incompreensíveis para quem não é iniciado em química. Entretanto, se você olhar uma cenoura, uma banana, saberá de onde veio. A isso chamamos de comida, comida de verdade.


Na esteira dessas considerações, é importante, também, priorizar uma comida da qual conhecemos a procedência, favorecendo a economia e o produtor local, se possível.



Olhar para a lista de ingredientes, fazer escolhas, não consumir alimentos embalados em plástico, são grandes prerrogativas para promover saúde e até cura através do alimento.


Considerando a vida agitada no meio urbano, torna-se difícil seguir até mesmo orientações simples assim. Mas sempre vale dar o primeiro passo, começando a caminhada pelo que é viável e possível, adequando as escolhas ao contexto familiar.

Estabelecido este princípio simples e primordial, seguem outros questionamentos: Estou com fome? Estou com quanta fome? O que comer para me nutrir?


O mercado da alimentação saudável é diversificado, o que aumenta a confusão do consumidor a respeito de qual a combinação adequada de nutrientes necessários no dia. Thaise considera retomar a auto-observação, grande eixo do Ayurveda e chave para o indivíduo se dar conta do que está se passando em seu corpo, do que esse corpo necessita e o que solicita.


Então o Ayurveda, antes de considerar o alimento, convida a olhar para o sujeito que está se alimentando. É a partir deste ponto que a consciência alimentar começa a ser despertada.



De nada adianta termos conhecimento de alimentos que são saudáveis ou quais devemos comer se não tivermos conhecimento do próprio corpo, que carrega em si um universo.


O Ayurveda traz isso com muita beleza através do olhar sobre os cinco elementos: terra, fogo, ág

ua, ar e éter. Cada indivíduo tem a sua mistura única – uma receita de bolo única, segundo Thaise - que foi formada no momento da sua concepção: “e o universo rasgou essa receita e nunca mais irá se repetir, aquele indivíduo ali além de ter essa receita única, ele traz ainda toda sua história, todas suas vivências, suas crenças que vão imprimindo cenas nesse corpo.” Sob esse ponto de vista, seria, no mínimo, ingenuidade achar que algo pode ser generalizado quando falamos sobre alimentação, que algo é bom para todo mundo. Assim rasgamos a individualidade de cada um.


Atualmente, o contexto familiar vive grandes desafios no que diz respeito à saúde. Hiperatividade, déficit de atenção, desânimo excessivo, ansiedade, autismo, depressão são algumas doenças que pertencem ao cardápio de patologias modernas que assolam crianças, adolescentes e adultos. E a ciência prova que muitas delas têm relação direta com a alimentação e a contaminação, não só dos alimentos, mas de elementos vários que nos cercam e utilizamos no dia a dia.


A contaminação pode estar relacionada a coisas do cotidiano que nem nos damos conta, tais como o uso de utensílios domésticos, principalmente panelas em teflon e alumínio que liberam substâncias altamente tóxicas. O teflon gera um acúmulo de poluentes e metais pesados no organismo. Nesse rol entra o uso abusivo de agrotóxicos. As pesquisas mostram que uma pessoa que não consome produtos orgânicos consume em média sete litros de veneno por ano.



O grande problema disso, tanto dos metais pesados quanto dos agrotóxicos, é que a contaminação não acontece de imediato.


É cumulativa, podendo virar um câncer ou algum outro distúrbio no futuro, principalmente no sistema reprodutor. Imensos índices de contaminação ocorrem, também, na água, onde sabemos que há muito alumínio, dentre outras substâncias nocivas. Nesse sentido, a mudança vai muito do indivíduo querer sair dessa cadeia, o que passa por uma visão sistêmica de suas escolhas.

Lidar com mudanças exige, transformações vinculadas à rotina, estrutura familiar e comportamento, que só acontecem de forma integrada quando, paralelo a isso, há abertura para o conhecimento e o autoconhecimento. Só assim faremos escolhas conscientes.



Escolhas que pressupõem conexão. Entender que, como seres humanos, não estamos sós, mas interligados sistemicamente aos outros reinos da natureza.


O que eu consumo vai afetar toda vida sobre a Terra através do corpo humano que sou. Isso é altamente comprometedor. Cabe ter responsabilidade. Cabe escolher com amor, sabendo que nutrir-se é conectar com a vida, com a perenidade.










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