Educação para a sustentabilidade

Somos todos culpados? No contexto da questão ambiental, sugerimos substituir o termo culpa por responsabilidade. Diante das mudanças climáticas, em galopante direção ao aquecimento global, cabe repensar, junto com o poeta cantor “que parte me cabe nesse latifúndio”. Entenda-se, aqui, o termo latifúndio como território terrestre onde vivemos e no qual temos poder de atuação e, metaforicamente, onde cabe nossa responsabilidade.


Todos somos educadores. Ampliemos, entretanto, trazendo Paulo Freire: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo”.


No latifúndio da convivência podemos atuar. Senão, até do senso comum, escutamos: “as palavras comovem, os exemplos arrastam”.

Eis aí o desafio: construir a ponte entre falas teórico/filosóficas e práticas vivenciais. Como viver o exemplo? Para a maioria das pessoas, consoante no seio das famílias, este é o desafio: olhar para dentro e fora: a consciência de como o mundo está, questionando o que estamos gerando de impacto ambiental, como podemos fazer diferente?



Um dos grandes impactos ambientais é gerado pelo consumo. Este, quando necessário, representa sobrevivência e proteção em se tratando de alimentação, vestimentas e produtos cabíveis à segurança.


Entretanto, a medida da necessidade pode ser redimensionada ao constatar o impacto que ele gera, quando se olha para a real dimensão dos resíduos sólidos que são seu produto secundário.

Muitos projetos e processos educativos, ligados à educação não formal, via redes sociais, propõe alternativas viáveis e escolhas possíveis, a exemplo do Recicle, Reutilize e Plante, idealizado e mantido por Aurora Segall, engenheira florestal, perita ambiental e consultora em gestão de resíduos para condomínios e empresas, e Luíza Sarmento, jornalista, apresentadora, designer em sustentabilidade e influenciadora digital em consumo consciente.


No trabalho delas, o maior cuidado se refere a comunicar a mensagem da responsabilidade ambiental. A velha denominação de “ecochatas”, decididamente, não cabe ali.


Segundo elas, este é um ponto nevrálgico e afasta as pessoas, quando se entra no âmbito do julgamento, achando que apenas o que se faz é o certo, que os outros não se importam com o futuro do Planeta. Por isso, a comunicação no Recicle vem com base em proposições claras e possíveis de serem realizadas: “a melhor forma de chegar até as pessoas é, primeiro, com a guarda mais baixa, e você fazer através do humor, da leveza, trazer de uma forma simples, mostrar que não tem um jeito certo de fazer para tudo, existem possibilidades que você pode ir se adaptando, pequenas mudanças que você vai fazendo, que você não precisa fazer todas as coisas ao mesmo tempo e ser perfeito, mas que se você se dedicar a fazer uma coisa bem feita.”


Essa ideia de dar o primeiro passo traz as ações para o território do viável e amplia para sermos exemplo através das atitudes. Fazer uma escolha, mudar um hábito cria a segurança de que não é assim tão difícil e não custa tanto.


E acaba por ser tão gratificante que se torna contagiante. Um dos maiores desafios dentro da questão da sustentabilidade das famílias são as relações familiares. E sempre tem uma pessoa que desperta antes e traz as questões para dentro de casa. Ela fatalmente vai passar por uma série de resistências de padrão de consumo das demais que estão dentro de casa. Então isso pode, sim, gerar alguns conflitos.

Mas, qual é a virada de chave para esse acoplamento, essa tomada de decisão, esse salto em direção à escala: conscientização, responsabilidade, ação?


Há, o que podemos denominar de ritual de tomada de consciência, uma preparação antes de fazer o movimento. E essa preparação, precisa ser o choque, ela precisa ser você se dar conta do tamanho do impacto.



Antes de se propor a reciclar, ou trocar algum material, que tal desafiar a família a criar um residuário, um lugar onde o resíduo seco fique exposto e acumulado por um tempo, onde todas as pessoas vejam? Com certeza, o resíduo gerado por uma família de quatro pessoas vai ocupar, pelo menos, um metro cúbico da sua casa, da sua vida. Essa simples atitude permite ter a noção espacial que o resíduo ocupa do espaço, da vida. E Luiza projeta que as pessoas visualizem isso com relação à sociedade: “mas se isso aqui é só dentro da minha casa, imagina se somar a minha casa com a do vizinho, com a do condomínio, com a do bairro, com a da cidade”. O impacto visual gera mobilização e, a partir dela, questionamentos que propõe outras escolhas e ações: “Por que mesmo que eu estou consumindo isso, por que mesmo que eu estou consumindo aquilo? Será que eu consigo trocar esse produto aqui por outra coisa, será que eu tenho como minimizar isso aqui?”.


Uma das ações primordiais seria compostar o resíduo orgânico. Grande parte do impacto do descarte de resíduos pode ser minimizado, criando terra ao invés de colocar matéria orgânica em aterro sanitário.



Senão, vejamos: quanto do elemento terra é retirado do planeta pela agricultura extensiva, pela mineração, considerando que, uma vez que um morro é destruído na mineração, ele nunca mais vai voltar, por mais que se consiga fazer um reflorestamento, trazer uma nova paisagem ali.

Desde 2010 as organizações e o povo brasileiro contam com uma Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei 12.305. Cabe cumprir.

Um de seus dispositivos é a Logística Reversa, “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada” (Art. 3º).


Quem sabe esse passo inicial, representado pela compostagem, poderá ser, um modo doméstico de exercitar a logística reversa, devolvendo para a terra o que dela saiu?


Dentre tantas ações simples, possíveis e viáveis no que tange a viver o exemplo, essa pode ser uma escolha que envolva toda família, pois dela pode derivar o plantio de uma horta, o reflorestamento, e, não em última análise, a convivência, a educação ambiental em cocriação familiar.








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